Um levantamento inédito sobre o perfil socioeconômico, os hábitos de consumo e o comportamento turístico da população LGBTQIA+ brasileira foi apresentado durante a abertura da 10ª Conferência Internacional da Diversidade, realizada no Centro Cultural São Luiz, em São Paulo. O estudo busca oferecer ao mercado informações sobre as preferências, necessidades e experiências desse público em diferentes setores, com atenção especial à atividade turística.
Desenvolvida pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil em parceria com o Iemi – Inteligência de Mercado, a pesquisa reúne indicadores relacionados a renda, poder de compra, estilo de vida e relacionamento com marcas e empresas. O levantamento também investiga as motivações que influenciam a escolha de destinos, os critérios de contratação de serviços turísticos e as experiências vivenciadas pelos viajantes LGBTQIA+.
O caráter inédito da iniciativa está na análise conjunta das práticas de consumo e dos hábitos de viagem, com uma abordagem direcionada às necessidades do mercado. A pesquisa procura identificar fatores que interferem nas decisões de compra e na percepção de acolhimento em estabelecimentos e destinos turísticos, além de aspectos associados à segurança, ao respeito à diversidade e à qualidade das experiências oferecidas.
Entre os principais resultados, o estudo estima que o Brasil tenha 21.555.524 pessoas LGBTQIA+ com 18 anos ou mais. Para dimensionar esse contingente, o levantamento apresenta uma comparação internacional: caso formasse um país, essa população ocuparia a 44ª posição mundial em um ranking baseado na população adulta, seria a oitava maior das Américas, incluindo o Brasil, e superaria o número de habitantes de 152 países, entre eles Portugal, Grécia, Áustria, Suíça e Bélgica.
Na avaliação de Marcelo Prado, diretor do Iemi, os resultados permitem compreender melhor a representatividade econômica e social da população LGBTQIA+ no Brasil. O executivo também destaca a importância de identificar obstáculos enfrentados por esses consumidores, especialmente em situações nas quais a orientação sexual ou a identidade de gênero podem influenciar a percepção de segurança e acolhimento durante viagens e outras experiências de consumo.
“Considero esta pesquisa muito importante porque, a partir de um levantamento abrangente, realizado em todo o Brasil com diferentes perfis de consumidores, ela permite compreender, de um lado, a relevância econômica da população LGBT e sua participação no consumo no país. De outro, ajuda a identificar suas necessidades como consumidores, cidadãos e, especialmente, turistas que viajam pelo Brasil e para o exterior e utilizam diversos produtos e serviços. Compreender essas necessidades, os desafios enfrentados e os ambientes em que essas pessoas, por vezes, sentem que precisam ocultar sua identidade é fundamental para atendê-las melhor e reconhecer suas demandas”, ressalta Prado.








