A Gol provocou insatisfação entre as agências de viagens brasileiras após disponibilizar, na terça-feira (20), uma promoção com descontos de até 20% nas passagens aéreas. A campanha contemplava exclusivamente os consumidores que realizassem compras pelos canais diretos da companhia, sem estender as mesmas condições comerciais às agências parceiras.
A iniciativa teve início na terça-feira e também foi adotada, inicialmente, por Latam e Azul, que ofereceram tarifas promocionais restritas aos canais de venda direta ao consumidor. Após negociações com representantes das agências, as duas empresas recuaram. A Gol, por sua vez, manteve a campanha até a tarde de quarta-feira (21), quando também decidiu suspendê-la.
As agências de viagens respondem atualmente pela intermediação de aproximadamente 60% das passagens aéreas comercializadas no Brasil. Sua participação é especialmente relevante no mercado corporativo, segmento no qual empresas recorrem a agências especializadas para administrar reservas, tarifas negociadas e deslocamentos profissionais.
Em entrevista ao Valor Econômico, Siderley Santos, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), manifestou preocupação com os impactos da medida sobre as relações comerciais entre companhias aéreas e intermediários. “Esse tipo de postura prejudica, inclusive, os clientes finais que têm contrato de desconto com as aéreas”, disse.
Apesar de a equivalência entre os descontos oferecidos nos diferentes canais de distribuição ser uma prática estabelecida há décadas no mercado aéreo, essa paridade não estaria prevista em um instrumento contratual que permitisse sua contestação judicial.

