São Paulo (SP) – A inteligência artificial pode transformar a operação das locadoras de veículos, desde o atendimento aos clientes até a gestão das frotas, com soluções capazes de automatizar reservas, identificar fraudes e antecipar problemas mecânicos. As possibilidades foram apresentadas nesta quarta-feira (28) por Rande Rodrigues, engenheiro de Soluções em IA no Innovation Hub da Microsoft, durante a Expo Abla 2026, realizada no São Paulo Expo.
Na palestra “IA na prática: como transformar produtividade em resultado”, o especialista destacou que a adoção da tecnologia deve priorizar ganhos efetivos de produtividade e qualidade no atendimento, em vez de simplesmente substituir tarefas humanas por sistemas automatizados.
Um dos principais exemplos apresentados foi a utilização de inteligência artificial no atendimento por WhatsApp, canal que pode concentrar diferentes etapas da jornada de locação, desde a consulta de disponibilidade até a realização de reservas.
Segundo Rodrigues, a experiência precisa ser natural e personalizada, sem as limitações dos sistemas tradicionais de respostas automáticas, que frequentemente dificultam a comunicação com os consumidores.
“Se o seu cliente tá escrevendo falar com o humano, a sua IA tá errada”, afirmou o executivo, ao destacar a importância de ferramentas capazes de compreender a linguagem e as necessidades dos usuários.
Da reserva à manutenção dos veículos
Além do atendimento, Rodrigues apresentou aplicações da IA na análise de documentos, como carteiras de habilitação e registros de identidade. A tecnologia pode verificar a validade das informações, comparar imagens e auxiliar na identificação de possíveis fraudes durante o processo de locação.
Outro exemplo foi a manutenção preditiva. Por meio de dados coletados dos veículos e analisados por algoritmos, as empresas podem identificar sinais de problemas mecânicos antes que eles provoquem interrupções na operação.
A tecnologia também pode auxiliar na gestão de multas, na avaliação de sinistros e na identificação de prejuízos, com análise de imagens e documentos.
O especialista explicou ainda a diferença entre assistentes de inteligência artificial e agentes autônomos. Enquanto os primeiros ajudam a produzir textos, interpretar informações e organizar tarefas, os agentes podem executar ações, como enviar notificações, agendar compromissos e encaminhar cobranças.
Como exemplo de aplicação no setor, Rodrigues mencionou uma iniciativa da Hertz, na qual um profissional sem experiência em programação desenvolveu um assistente com agentes de IA. Segundo o palestrante, a solução proporcionou uma economia de aproximadamente 8 milhões, sem especificação da moeda na transcrição.
Eficiência não significa necessariamente economia
Apesar das oportunidades, Rodrigues alertou que a implementação da inteligência artificial exige planejamento financeiro e avaliação dos resultados.
O executivo relatou o caso de uma companhia aérea brasileira que utilizou IA para atender solicitações internas de suporte técnico. Segundo ele, a solução elevou em 300% a satisfação dos usuários e resolveu 98% dos problemas no primeiro contato.
Entretanto, o custo operacional da ferramenta foi quatro vezes superior ao da alternativa anterior, o que levou a empresa a interromper sua utilização naquele serviço.
“Nem sempre a IA ela vai ser mais barata do que um ser humano”, destacou.
Para Rodrigues, as empresas precisam avaliar quais processos justificam o investimento, especialmente quando a tecnologia pode reduzir falhas no atendimento, evitar cancelamentos e melhorar a experiência dos clientes.
No caso das locadoras, a recomendação é identificar oportunidades concretas de automação e capacitar as equipes para utilizar as ferramentas de forma estratégica, com atenção aos custos, à produtividade e à qualidade dos serviços.









