O Latam Airlines Group encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 441 milhões, crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado, mesmo diante de uma alta de 52,1% no preço médio do combustível. O encarecimento do insumo acrescentou aproximadamente US$ 520 milhões aos custos da companhia, enquanto a receita operacional avançou 18,4%, alcançando US$ 4,567 bilhões.
Os resultados foram apresentados nesta terça-feira (3), durante coletiva com Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, e Ricardo Bottas, diretor financeiro do grupo. Segundo os executivos, a ampliação das operações, o aumento das receitas unitárias e o controle de despesas contribuíram para compensar parte da pressão sobre os resultados.
O EBITDA ajustado somou US$ 1,095 bilhão, enquanto o resultado operacional ajustado alcançou US$ 573 milhões. A margem operacional ajustada ficou em 12,5%, abaixo dos 18,1% registrados no terceiro trimestre de 2025.
Receitas crescem e compensam parte dos custos
Durante a apresentação, Bottas explicou que o aumento das receitas unitárias de passageiros gerou aproximadamente US$ 410 milhões adicionais, compensando parte dos US$ 520 milhões associados à variação do preço do combustível.
A capacidade consolidada cresceu 7,7%, com fator de ocupação de 83,7%. Já a receita de passageiros atingiu US$ 3,998 bilhões, alta de 17,8%, acompanhada por um avanço de 9,4% na receita unitária. O segmento premium cresceu 23%, enquanto o transporte de cargas movimentou US$ 483 milhões, aumento de 19,5%.
O programa Latam Pass também ampliou sua base para 57 milhões de associados, crescimento de 9% na comparação anual.
Cadier prevê pressão sobre passagens em 2027
Apesar dos resultados positivos, Cadier afirmou que a companhia acompanha com cautela as perspectivas para o próximo ano. Além do combustível, o executivo citou a volatilidade cambial, a reforma tributária e as discussões sobre o fim da escala de trabalho 6×1.
“A implementação da reforma tributária faz com que os preços para o passageiro aumentem a partir do ano que vem. Isso vai botar um pouco de pressão no crescimento, porque é óbvio que a demanda vai sofrer com preços mais altos”, declarou.
Segundo Cadier, a Latam mantém a perspectiva de crescimento no Brasil em 2026, mas poderá ajustar sua operação conforme a evolução dos custos e das condições regulatórias.
Grupo atualiza projeções e investe na frota
Diante do cenário, a Latam revisou suas projeções para 2026, elevando a estimativa de receita anual para uma faixa entre US$ 17,6 bilhões e US$ 17,8 bilhões. A previsão de EBITDA ajustado ficou entre US$ 3,9 bilhões e US$ 4,05 bilhões, considerando combustível a US$ 180 por barril no quarto trimestre.
Ao final de setembro, o grupo operava 390 aeronaves e havia incorporado sete aviões durante o trimestre. Em outubro, a Latam Brasil recebeu suas duas primeiras unidades Embraer E195-E2, modelo que começará a operar em 30 de novembro, com previsão de atender 42 rotas domésticas na fase inicial.
A companhia também informou investimentos de US$ 432 milhões no terceiro trimestre, destinados à renovação da frota, modernização de cabines, conectividade a bordo e melhorias na infraestrutura de atendimento aos passageiros. Entre os projetos está a construção do novo Latam Lounge São Paulo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, com previsão de entrada em operação em 2027, conforme informou Ricardo Bottas durante a coletiva.
Anunciado em fevereiro de 2025, o empreendimento receberá investimento de R$ 115 milhões e terá 4.700 metros quadrados no Terminal 3, dedicado aos voos internacionais. Apresentada pela companhia como a maior sala VIP da América Latina, a estrutura seguirá o conceito adotado no lounge de Santiago, no Chile, com espaços voltados ao conforto dos passageiros e elementos da gastronomia e da cultura sul-americana.








