São Paulo (SP) – A sexta edição do TGK World, encontro anual promovido pelo Grupo TGK Travel, colocou o Brasil no centro de sua programação pela primeira vez. Realizado nesta quarta-feira (4), no Rosewood São Paulo, o evento reuniu 100 agentes de viagens de 27 cidades brasileiras, além de 58 marcas expositoras, em uma agenda de relacionamento e rodadas de negócios. A inclusão de fornecedores nacionais entre os destaques da edição acompanha uma estratégia de diversificação do portfólio da empresa diante das perspectivas para o mercado de viagens em 2026.
Com o conceito “Brasil Feito à Mão”, a sexta edição do TGK World buscou associar a identidade brasileira ao trabalho de curadoria e à construção de experiências de viagem. O tema orientou também a escolha dos materiais entregues aos participantes, como bolsas produzidas com tecidos reutilizados e cadernos inspirados nos ladrilhos brasileiros.
A programação foi organizada em torno de rodadas de negócios entre agentes de viagens e fornecedores, com intervalos para relacionamento e um coquetel de encerramento. A participação de empresas nacionais ampliou a representação do Brasil entre os expositores, ao lado de marcas e destinos de diferentes regiões do mundo.
A evolução do encontro também aparece no número de participantes e expositores. De acordo com Leila Minatogawa, diretora de Relações Estratégicas do Grupo TGK Travel, a edição de 2024 contou com cerca de 35 marcas, enquanto a edição seguinte ultrapassou 40. Em 2026, o evento chegou a 58 expositores e recebeu profissionais de 27 cidades além de São Paulo. “Esse interesse tanto de parceiros como de agências nos mostra que estamos em um bom caminho”, afirma Leila Minatogawa, diretora de Relações Estratégicas do Grupo TGK Travel.
Segundo a executiva, a seleção de agências participantes considera critérios comerciais, potencial de prospecção e o interesse dos profissionais em trabalhar com particularidades dos destinos, para além dos roteiros tradicionais. Para 2027, a empresa já estuda mudanças no formato do encontro, com o objetivo de ampliar o dinamismo e o interesse de agentes e parceiros.
Brasil ganha espaço
Segundo Leila, o ano começou com a expectativa de um cenário mais desafiador, considerando fatores como a concentração de feriados, a Copa do Mundo, as eleições e as oscilações cambiais. Nesse contexto, a empresa decidiu ampliar a exposição dos produtos nacionais no encontro, tradicionalmente voltado ao portfólio internacional.
O Brasil já integra a operação da TGK há quatro anos, mas ganhou maior espaço comercial nesta edição. A seleção de produtos acompanha o perfil de viajantes interessados em natureza, bem-estar e experiências de desconexão, sem abrir mão de uma estrutura hoteleira de alto padrão. Entre as possibilidades estão hospedagens em refúgios e atividades ao ar livre, como trilhas.
“Este ano, o Brasil é um destaque aqui no TGK World. Pela primeira vez, eles estão conosco. Sempre foi um evento com um portfólio internacional e resolvemos introduzir o Brasil justamente por saber que as viagens internacionais sofreriam bastante”, explica Leila.
A iniciativa também se relaciona ao trabalho de aproximação e capacitação das agências parceiras. Em 2026, a TGK lançou o programa A-List, voltado a uma seleção de agências com potencial de desenvolvimento comercial. A proposta envolve compartilhamento de conhecimento sobre turismo e reforma tributária, além de orientações de gestão, organização administrativa e integração das equipes.

Pequenos grupos e destinos menos explorados
Outra frente de expansão é a Plural Experiences, unidade dedicada a grupos de lazer e pequenos grupos. A operação trabalha com um calendário anual de viagens para destinos que, segundo Leila, exigem maior planejamento e podem apresentar barreiras de conhecimento ou segurança para o viajante brasileiro.
A proposta inclui saídas garantidas e acompanhamento de guias, permitindo que as agências ofereçam roteiros próprios a partir da estrutura da operadora. Entre os destinos trabalhados estão China e Butão, além de outras regiões que ainda têm menor presença no mercado brasileiro.
Na Ásia, a procura permanece elevada, mesmo diante dos ajustes de rotas aéreas provocados pelas restrições e mudanças de trajetos no Oriente Médio. A TGK também trabalha com parceiros locais para organizar a operação em destinos de grande fluxo turístico, priorizando o acesso a atrações, a disponibilidade de guias familiarizados com o público brasileiro e o planejamento dos horários de visita.
Na América do Sul, a estratégia é ampliar a presença para além das capitais e dos destinos mais conhecidos. A empresa mantém contato com órgãos de turismo locais para identificar regiões que possam ser incorporadas aos roteiros, combinando diferentes localidades em uma mesma viagem. A proposta atende especialmente a passageiros recorrentes, que já conhecem os principais destinos do continente e buscam novas experiências.
Leila cita regiões como Aysén, no Chile, e Neuquén, na Argentina, como exemplos de áreas que podem ganhar espaço na oferta. A combinação de localidades também permite ampliar o tempo de permanência e o valor médio das viagens, oferecendo alternativas a passageiros que eventualmente substituam destinos de longa distância por experiências na América Latina.
Destaques e projetos
Entre os mercados com maior desempenho comercial em 2026, a África do Sul e a América Latina se destacaram. A África do Sul, tradicionalmente um dos principais produtos da TGK, voltou a concentrar parte expressiva da procura, enquanto a expansão para outros países do continente africano perdeu espaço relativo diante da preferência por viagens com menor necessidade de tempo e investimento.
A maior frequência de voos para a África do Sul, com a atuação da South African Airways (SAA) e de outras companhias aéreas, também contribuiu para o movimento. No TGK World, a empresa apresentou opções de hospedagem africanas ainda pouco conhecidas pelo mercado brasileiro, mas que, segundo Leila, contam com estrutura de serviços para atender ao público interessado nesse tipo de viagem.
A executiva destaca que a diversificação não significa necessariamente trabalhar apenas com marcas já consolidadas. A busca por novos parceiros permite apresentar experiências alternativas dentro de destinos conhecidos, com diferentes propostas de hospedagem e serviços.
“O nosso foco hoje em dia é no upscale e no mid-scale, mas o nosso luxo é ter realmente uma equipe bem treinada para fazer o consultor trazer experiências, olhar para cada reserva como pessoas, uma história, uma família, descobrir alguns pontos e poder encantar, fazer surpresas ao longo da viagem”, afirma.
Para 2027, a TGK já estuda mudanças no formato do encontro, com o objetivo de ampliar o dinamismo e o interesse de agentes e parceiros. A executiva, no entanto, mantém uma perspectiva positiva para o mercado de viagens, mesmo diante de eventuais dificuldades econômicas.
“Para o público que realmente é amante de viagem, hoje em dia faz parte da vida dessas pessoas. Claro, existe uma crise ponderada, mas todos os anos a gente sabe que é sempre melhor. A gente nunca viu regredir”, avaliou.
A estratégia para os próximos ciclos, segundo Leila, passa por buscar destinos que equilibrem custo, distância e logística, ampliando as possibilidades de escolha para diferentes perfis de viajantes.









