Ministério do Turismo apresenta linhas de crédito para impulsionar o afroturismo

Em parceria com a Abrafro, encontro reuniu empreendedores de diferentes regiões do Brasil para apresentar oportunidades de financiamento pelo Fungetur

Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

O acesso a financiamento para desenvolver negócios turísticos é um dos desafios enfrentados por Elielson Pereira, empreendedor de origem quilombola que atua há cinco anos na Chapada dos Veadeiros (GO), região onde estão localizados os territórios Kalunga e Avá-Canoeiro. Responsável pela agência Céu de Gaia Astroturismo, ele identificou no Fundo Geral de Turismo (Fungetur) uma possibilidade de investimento e acesso a informações sobre crédito.

A iniciativa também trouxe perspectivas para profissionais que enfrentam dificuldades de financiamento. “O encontro me trouxe esperança, já que sinto dificuldades de acesso a recursos. Parabenizo a iniciativa, que chegou para mim como um verdadeiro letramento financeiro”, afirmou Elielson. O empresário participou do webinar “Rotas Negras em Ação: oportunidades e acesso ao Fungetur”, organizado pelo Ministério do Turismo (MTur) em parceria com a Associação Brasileira de Afroturismo (Abrafro).

Realizado como parte da programação do Novembro Negro 2026, o encontro virtual apresentou instrumentos financeiros destinados ao desenvolvimento de negócios ligados ao afroturismo. Entre os participantes estava Tâmara Azevedo Cardoso, representante da Bahia Turismo e Arte, empresa que atua há 16 anos em Salvador (BA). “O Fungetur é fantástico em relação às taxas de juros e tem uma carência excelente. Acredito que o Fundo pode contribuir, e muito, para o nosso crescimento”, destacou.

Outra participante, Thayná Cambará Beraldo, da Bela Oyá Pantanal, empreendimento de inovação social localizado em Corumbá (MS), ressaltou a necessidade de considerar as características dos negócios afroempreendedores. “Essa articulação com o programa Rotas Negras e a ABRAFRO é fundamental para que os negócios do segmento cresçam e se sustentem. Quando ampliamos nossa atuação, fazemos com que mais recursos circulem no próprio território”, avaliou.

Fungetur oferece financiamento de até R$ 15 milhões

As linhas de crédito apresentadas durante o encontro podem ser utilizadas por empreendedores do afroturismo para investir na estrutura de seus estabelecimentos, adquirir equipamentos e desenvolver novos produtos turísticos. O financiamento também representa uma alternativa para iniciativas que promovem a cultura afro-brasileira e contribuem para a geração de renda nas comunidades onde estão inseridas.

Beth Brusco, responsável pela Afrovia, projeto turístico ainda em fase de estruturação, passou a avaliar a possibilidade de recorrer ao fundo após participar da capacitação. “Foi muito interessante entender como o Fungetur pode me ajudar nessa nova jornada”, relatou.

O Fungetur, principal instrumento de financiamento do Ministério do Turismo, dispõe de mais de R$ 1 bilhão para apoiar empreendimentos turísticos em 2026. Os financiamentos podem alcançar R$ 15 milhões, com juros de até 5% ao ano, acrescidos do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O prazo de pagamento chega a 120 meses para aquisição de bens e capital de giro e a 240 meses para obras e reformas. Conforme a finalidade da operação, a carência pode atingir cinco anos.

“Muitas vezes, o que falta a um empreendedor é a oportunidade de acessar os recursos necessários para transformar seu potencial em realidade. Aproximar os negócios do afroturismo das linhas de financiamento do Fungetur é fazer com que essas iniciativas cresçam e ocupem cada vez mais espaço no mercado turístico brasileiro. Nosso papel é fazer com que as oportunidades cheguem a quem tem muito a contribuir para o desenvolvimento do país”, afirmou o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Cadastur é requisito para acesso às linhas de crédito

Como parte das medidas de inclusão no setor, o Ministério do Turismo passou a exigir o preenchimento de informações sobre raça, etnia e gênero no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur). A iniciativa pretende produzir dados que auxiliem na elaboração de políticas públicas, na identificação de desigualdades e no direcionamento de ações de qualificação profissional e acesso a financiamento.

Entre os estabelecimentos que podem solicitar recursos do Fungetur, desde que possuam registro ativo no Cadastur, estão agências de viagens, meios de hospedagem, transportadoras turísticas, locadoras de veículos, cafeterias, bares e restaurantes, além de outros prestadores de serviços do turismo.

O programa também contempla microempreendedores individuais (MEIs) do setor com inscrição regular no Cadastro Único (CadÚnico). Nessa modalidade, o limite de financiamento é de R$ 21 mil, com possibilidade de acesso para guias de turismo, motoristas, artesãos e vendedores ambulantes de alimentos e bebidas. A medida busca facilitar investimentos de pequenos negócios e estimular a atividade econômica em diferentes territórios.

LEIA MAIS NOTÍCIAS

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem, 
necessariamente, a opinião deste jornal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

MAIS LIDAS

NEWSLETTER

    AGENDA 2026

    Festuris

    REDES SOCIAIS

    PARCEIROS