O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, passou a contar com a Área de Vetoração em Subida (AVS), ferramenta que amplia a capacidade de atuação dos controladores de tráfego aéreo durante as fases iniciais de subida das aeronaves. Implementada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) em 29 de outubro, a medida busca aprimorar o gerenciamento das operações em um dos espaços aéreos mais complexos do país, especialmente em situações de decolagem e aproximação perdida, conhecida como arremetida.
Com a implantação, Congonhas se torna o terceiro aeroporto brasileiro a adotar o conceito. A primeira implementação ocorreu no Aeroporto Internacional de Brasília, em abril de 2025, seguida pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), em setembro deste ano.
A ferramenta permite que os controladores orientem aeronaves em altitudes inferiores às normalmente estabelecidas nas cartas de altitude mínima de vigilância, desde que sejam respeitados os parâmetros de segurança definidos para cada área.
Na prática, o recurso amplia as possibilidades de ajuste das trajetórias durante a subida, permitindo respostas mais rápidas em situações que exigem mudanças de direção e contribuindo para prevenir conflitos entre aeronaves.
Operações em Congonhas exigem coordenação
Localizado em uma região densamente urbanizada, Congonhas opera em um espaço aéreo compartilhado com diferentes fluxos de chegadas e partidas. A proximidade entre trajetórias e a movimentação de aeronaves exigem planejamento e coordenação constantes dos órgãos responsáveis pelo controle de tráfego.
Nesse contexto, a AVS oferece maior flexibilidade operacional sem alterar os critérios de segurança aplicáveis às operações. Sua utilização é regulamentada pela Circular Normativa de Controle do Espaço Aéreo (CIRCEA) 100-120 e depende dos limites estabelecidos nas cartas aeronáuticas específicas.
A implementação foi conduzida por meio de uma atuação conjunta entre o Decea, o Grupo de Estudos e Planejamento do Espaço Aéreo (Gepea), o Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE) e o Instituto de Cartografia Aeronáutica (ICA).
Os trabalhos incluíram estudos sobre as características do aeroporto, identificação de obstáculos no entorno, avaliação das trajetórias de decolagem e arremetida e elaboração dos procedimentos necessários à aplicação da ferramenta.
Controladores passaram por treinamento específico
Antes da entrada em operação, todos os controladores de tráfego aéreo da Torre de Controle de São Paulo (TWR-SP) e do Controle de Aproximação de São Paulo (APP-SP) receberam capacitação sobre os critérios e procedimentos da AVS.
A preparação contemplou as particularidades das pistas de Congonhas e os cenários em que o recurso poderá ser utilizado.
Enquanto o Gepea participou do desenvolvimento das diretrizes técnicas, o ICA ficou responsável pela elaboração das cartas que estabelecem os limites operacionais da ferramenta, seguindo critérios da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci).
Já o CRCEA-SE conduziu os estudos para integrar a AVS às atividades dos órgãos de controle responsáveis pelas operações na região.
Ferramenta avança no espaço aéreo brasileiro
A chegada da AVS a Congonhas dá continuidade à expansão do conceito no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab).
Em Brasília, a ferramenta foi inicialmente adotada no contexto das iniciativas de otimização do tráfego aéreo e retomada das Decolagens Paralelas Simultâneas Independentes (DPSI). Posteriormente, a implementação em Viracopos marcou sua primeira utilização na Área de Controle Terminal de São Paulo (TMA-SP).

