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Pesquisa mostra que turismo ainda falha em atender público 60+

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Setor do Turismo não está preparado para o envelhecimento populacional, aponta pesquisa inédita do data8
Setor do Turismo não está preparado para o envelhecimento populacional, aponta pesquisa inédita do data8. Crédito: Divulgação

O turismo brasileiro ainda enfrenta dificuldades para atender adequadamente o público acima dos 60 anos, apesar do avanço da longevidade e da crescente participação desse segmento no consumo de viagens. É o que mostra a pesquisa inédita “Turismo 60+: O Brasil que Viaja Depois dos 60”, conduzida pela consultoria data8 em parceria com o IV Expo Fórum de Turismo 60+ e com apoio do Ministério do Turismo.

Divulgado nesta segunda-feira (11), durante o Expo Fórum de Turismo 60+, o levantamento revela que apenas 26% dos entrevistados sentem que as experiências de viagem são realmente pensadas para pessoas da sua faixa etária. Na prática, 74% afirmam não perceber produtos e serviços adaptados às necessidades do público maduro.

A pesquisa ouviu 1.012 brasileiros com mais de 60 anos entre março e abril de 2026, abrangendo as cinco regiões do país. O estudo aponta um público ativo, digitalizado e financeiramente independente. Entre os entrevistados, 52% realizam pelo menos três viagens por ano e 34% gastam mais de R$ 10 mil anuais com turismo.

O levantamento também mostra que 96% dos viajantes maduros custeiam integralmente ou dividem as despesas das viagens com seus parceiros, enquanto 73% utilizam parcelamento no cartão de crédito como principal forma de pagamento.

A digitalização já integra a rotina desse consumidor. Segundo o estudo, 64% utilizam aplicativos para pesquisar destinos e 25% já recorrem a ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, durante o planejamento das viagens. Além disso, 70% afirmam organizar seus roteiros de forma on-line, seja de maneira independente ou com auxílio de familiares.

“O envelhecimento da população não é uma tendência futura – é uma realidade já instalada, com impacto direto sobre o consumo dos brasileiros. No turismo, isso se traduz em um público com tempo, renda e disposição para viajar, mas que ainda encontra barreiras e se vê insatisfeito com a experiência oferecida”, afirma Adriana de Queiroz, sócia do data8 e coordenadora da pesquisa.

Segundo Adriana, o setor ainda precisa compreender o potencial econômico da longevidade. “O setor precisa despertar para o enorme potencial dessa mudança demográfica – e não estamos falando somente de adaptar serviços, mas reconhecer o consumidor prateado como um vetor estratégico de crescimento e inovação para o setor”, completa.

Experiência ainda apresenta falhas

Apesar do alto engajamento com viagens, o público maduro ainda relata dificuldades em diferentes etapas da jornada turística. O estudo aponta que 26% já enfrentaram despreparo ou falta de paciência de equipes de atendimento, enquanto 32% demonstraram dificuldade com processos automatizados, como totens de autoatendimento e check-ins digitais sem suporte humano.

A flexibilidade aparece como uma característica relevante desse perfil de viajante. Segundo a pesquisa, 87% possuem liberdade para escolher datas de viagem, priorizando períodos de baixa temporada ou menos concorridos. Já 61% enxergam o ato de viajar como forma de preservar autonomia, descobrir novos lugares e investir em qualidade de vida.

Entre os destinos preferidos, praias lideram com 72% da preferência, seguidas por cidades históricas (42%) e roteiros de campo e montanha (34%). Preço, localização e conforto aparecem como os fatores mais importantes na escolha da hospedagem.

Selo Destino 60+

Durante o evento, o data8 também apresentou o Selo Destino 60+, iniciativa voltada ao reconhecimento de empreendimentos preparados para atender o público maduro. A certificação avalia critérios ligados à hospitalidade, acessibilidade, nutrição, entretenimento e experiências adaptadas à longevidade.

“A iniciativa busca estimular uma nova lógica no turismo: mais inclusiva, segura e conectada às expectativas de uma geração que deseja continuar viajando, consumindo cultura e vivenciando experiências com autonomia e qualidade”, afirma Cléa Klouri, cofundadora do data8 e idealizadora do selo.

Surto de Norovírus atinge 115 pessoas durante cruzeiro próximo às Bahamas

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Companhias marítimas reforçam protocolos sanitários após novo surto gastrointestinal registrado em cruzeiro operando no Caribe Crédito: Gareth James/Wikimedia
Companhias marítimas reforçam protocolos sanitários após novo surto gastrointestinal registrado em cruzeiro operando no Caribe Crédito: Gareth James/Wikimedia

Um surto de norovírus afetou ao menos 115 pessoas a bordo do cruzeiro Caribbean Princess, que partiu da Flórida e navegava próximo às Bahamas nos últimos dias. Segundo informações divulgadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), 102 passageiros e 13 tripulantes relataram sintomas relacionados ao vírus gastrointestinal.

O navio, operado pela Princess Cruises, tem capacidade para mais de 3 mil viajantes e retornou a Porto Canaveral, na região de Orlando, nesta segunda-feira (11), conforme dados do portal especializado CruiseMapper. De acordo com o CDC, os casos representam cerca de 3% do total de passageiros embarcados na viagem.

O norovírus é considerado a principal causa de surtos de gastroenterite aguda nos Estados Unidos e costuma provocar sintomas como vômito, diarreia, náusea e dores abdominais. A transmissão ocorre principalmente por contato com pessoas infectadas, superfícies contaminadas ou ingestão de alimentos e bebidas contaminados.

Em comunicado, o CDC informou que a tripulação reforçou os protocolos sanitários para conter a disseminação do vírus a bordo. As medidas incluem intensificação dos processos de limpeza e desinfecção das áreas comuns, isolamento dos passageiros infectados e comunicação contínua com as autoridades de saúde americanas.

A ocorrência reacende a atenção do setor de cruzeiros para protocolos sanitários em viagens marítimas internacionais. Desde a pandemia, companhias de navegação vêm reforçando políticas de monitoramento epidemiológico, higienização de ambientes e resposta rápida a possíveis surtos de doenças transmissíveis.

O mercado de cruzeiros segue em expansão global, especialmente na América do Norte e Caribe, regiões que concentram parte significativa das operações marítimas internacionais. Nesse cenário, questões relacionadas à segurança sanitária permanecem no radar das companhias e dos órgãos reguladores.

Embora o norovírus costume apresentar rápida disseminação em ambientes fechados e com grande circulação de pessoas, os sintomas geralmente têm curta duração. Ainda assim, autoridades sanitárias recomendam atenção redobrada com higiene pessoal, lavagem frequente das mãos e isolamento imediato de pessoas sintomáticas.

Até o momento, não houve registro de casos graves relacionados ao surto no Caribbean Princess. O CDC segue monitorando a situação e acompanhando os procedimentos adotados pela embarcação para controle da transmissão durante o restante da viagem.

As informações foram divulgadas inicialmente pela Agência EFE e confirmadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Comissão da Câmara debate novas regras para cobrança de diárias em hotéis

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Comissão vai discutir proposta que flexibiliza horários diárias de hospedagem. Crédito: Agência Câmara de Notícias
Comissão vai discutir proposta que flexibiliza horários diárias de hospedagem. Crédito: Agência Câmara de Notícias

A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados realiza, nesta terça-feira (12), uma audiência pública para discutir mudanças nas regras de cobrança de diárias em hotéis, pousadas e demais meios de hospedagem. O debate acontece às 14h, no plenário 10 da Câmara.

A discussão foi solicitada pelo deputado Jorge Braz (Republicanos-RJ), relator do Projeto de Lei 1639/25, proposta que trata da flexibilização dos horários de entrada e saída em hospedagens. O texto está atualmente em análise na comissão.

A proposta prevê a criação de três modalidades de diária para ampliar as opções oferecidas aos hóspedes. Os períodos sugeridos são das 8h às 8h, das 12h às 12h e das 18h às 18h. O projeto também autoriza a cobrança de até seis horas adicionais após o encerramento da diária contratada.

Outro ponto previsto no PL 1639/25 envolve a alta temporada. Nesses períodos, os meios de hospedagem poderão antecipar em até duas horas o horário de saída dos clientes, desde que a medida esteja prevista nas regras da hospedagem.

Segundo Jorge Braz, a audiência busca reunir diferentes segmentos envolvidos no setor para avaliar os possíveis impactos da proposta tanto para consumidores quanto para as empresas de hospedagem.

O parlamentar pretende ouvir representantes da hotelaria, plataformas digitais de hospedagem e órgãos ligados à defesa do consumidor. A intenção é discutir práticas comerciais atualmente adotadas pelo mercado e analisar os efeitos das mudanças sugeridas pelo projeto.

“Busca-se, assim, garantir que a atuação desta Comissão esteja alinhada à proteção dos direitos do consumidor, sem desconsiderar a dinâmica econômica do setor e a livre iniciativa”, afirmou Jorge Braz.

A proposta surge em meio às discussões sobre modernização das relações de consumo no turismo e maior flexibilidade na operação de hotéis e pousadas. O tema também ganha relevância diante da expansão das plataformas digitais de hospedagem e da diversificação dos modelos de estadia disponíveis no mercado brasileiro.

Caso avance nas próximas etapas de tramitação, o projeto poderá alterar práticas tradicionais do setor hoteleiro, principalmente no que diz respeito aos horários padronizados de check-in e check-out adotados atualmente pela maior parte dos empreendimentos.

Universal investe US$ 10 milhões em escola para formar profissionais

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Parceria entre Universal e UCF reforça avanço da tecnologia aplicada às experiências imersivas e formação profissional no Turismo Crédito: Divulgação/Universal Destinations & Experiences
Parceria entre Universal e UCF reforça avanço da tecnologia aplicada às experiências imersivas e formação profissional no TurismoCrédito: Divulgação/Universal Destinations & Experiences

A Universal Destinations & Experiences anunciou uma parceria com a University of Central Florida (UCF) para criar uma nova escola voltada à formação de profissionais especializados em entretenimento temático e experiências imersivas. O projeto contará com investimento de US$ 10 milhões da companhia e será instalado dentro do Rosen College of Hospitality Management, em Orlando.

Batizada de Universal School of Experience Leadership and Innovation, a instituição terá foco na capacitação de futuros líderes da indústria de parques temáticos, hospitalidade e experiências imersivas. A iniciativa reforça o posicionamento estratégico da Universal em conectar educação, tecnologia e operação turística em um dos principais polos globais de entretenimento.

Segundo Mark Woodbury, chairman e CEO da Universal Destinations & Experiences, a proposta da escola é integrar criatividade, tecnologia e gestão aplicada. “A Universal School of Experience Leadership and Innovation une criatividade, tecnologia e a aplicação prática de negócios, marketing e atendimento ao cliente para desenvolver os líderes de amanhã no entretenimento temático e experiências imersivas”, afirmou.

A parceria também prevê a criação de um laboratório de tecnologia em hospitalidade, descrito pela universidade como um espaço colaborativo para desenvolvimento de pesquisas, testes de soluções e experiências práticas envolvendo estudantes, professores, profissionais da Universal e representantes do setor.

Entre as áreas prioritárias de ensino e pesquisa estão robótica aplicada ao atendimento, tecnologias de realidade aumentada e realidade virtual para treinamentos e operações, além do uso de inteligência artificial e digital twins para otimização e personalização da experiência dos visitantes.

A iniciativa amplia a conexão histórica entre a Universal e a UCF. O Rosen College já é considerado um importante fornecedor de talentos para a companhia, com milhares de ex-alunos atuando nas operações dos parques temáticos, atrações e áreas administrativas da empresa.

Para Alexander Cartwright, presidente da UCF, a colaboração fortalece a aproximação entre mercado e academia. “Esta colaboração com a Universal Destinations & Experiences representa nossa missão em sua melhor forma, criando um ambiente onde os estudantes aprendem em conexão direta com as pessoas e ideias que estão moldando o futuro das experiências imersivas”, declarou.

John Sprouls, chief administrative officer da Universal Destinations & Experiences, destacou que a parceria abre novos caminhos profissionais para os estudantes. Já Cynthia Mejia, dean do Rosen College of Hospitality Management, afirmou que o projeto acompanha a evolução da indústria da hospitalidade e das experiências imersivas globais.

Dólar sobe 0,19% com tensão geopolítica e inflação monitorada pelos investidores

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Movimentação do dólar reforça atenção do mercado financeiro sobre impactos geopolíticos e perspectivas para juros globais. Crédito: Ekaterina Belinskaya/pexels
Movimentação do dólar reforça atenção do mercado financeiro sobre impactos geopolíticos e perspectivas para juros globais. Crédito: Ekaterina Belinskaya/pexels

O dólar iniciou esta terça-feira (12) em alta frente ao real, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais diante das incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio. Investidores também acompanham os dados de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária global.

Por volta das 9h04, o dólar à vista registrava avanço de 0,19%, cotado a R$ 4,901. Já o contrato futuro com vencimento em junho, atualmente o mais líquido negociado na B3, subia 0,23%, aos R$ 4,923.

O movimento acompanha o fortalecimento global da moeda norte-americana, impulsionado pela busca de ativos considerados mais seguros em meio ao agravamento das tensões geopolíticas. O mercado monitora especialmente a redução das expectativas por um possível acordo envolvendo o conflito com o Irã, cenário que amplia a cautela dos investidores internacionais.

Além do ambiente externo, os agentes financeiros acompanham os indicadores de inflação divulgados nesta manhã. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,67% em abril na comparação mensal. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,39%.

Os números vieram ligeiramente abaixo das projeções do mercado. Pesquisa da Reuters apontava expectativa de alta de 0,69% no mês e de 4,4% no acumulado anual. Apesar disso, os dados mantêm o cenário de atenção sobre a trajetória inflacionária brasileira e os próximos movimentos do Banco Central.

Nos Estados Unidos, investidores aguardam novos indicadores econômicos capazes de sinalizar a condução da política monetária do Federal Reserve (Fed). A percepção predominante no mercado segue sendo de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, diante das pressões inflacionárias persistentes na economia norte-americana.

Aena prepara megaconcorrência para novas áreas comerciais em Congonhas

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Aena prepara megaconcorrência para ampliar áreas comerciais de Congonhas com lojas, restaurantes e salas VIP até 2028.
Aena prepara megaconcorrência para ampliar áreas comerciais de Congonhas com lojas, restaurantes e salas VIP até 2028. Crédito: Divulgação

A Aena Brasil prepara uma ampla concorrência para definir os operadores das futuras áreas comerciais do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Segundo Santiago Yus, presidente da concessionária no país, a iniciativa deve representar “a maior licitação da história dos aeroportos” brasileiros voltada ao segmento comercial.

O anúncio foi feito durante entrevista ao programa Conexão Infra, da CNN Brasil, nesta quinta-feira (7). A estratégia integra o projeto de modernização de Congonhas e busca elevar a participação das receitas comerciais no faturamento da concessionária por meio da chegada de novas operações gastronômicas, cafeterias, salas VIP e lojas de luxo.

“A gente está saindo agora para o mercado com a maior licitação que eu acho que vai acontecer na história dos aeroportos do Brasil”, afirmou Santiago Yus durante a entrevista.

Atualmente, Congonhas possui cerca de 9 mil metros quadrados de área comercial. O plano da Aena prevê ampliar esse espaço para aproximadamente 20 mil metros quadrados, mais do que o dobro da estrutura existente hoje.

“Temos uma composição aproximadamente de 65% de receita regulada, que são os valores que as companhias aéreas e os passageiros pagam, e uns 35% de receita comercial. Com a nossa ideia, queremos dar impulsão em toda essa receita comercial para poder chegar a 40%, 45% da receita total, que já é o percentual de um aeroporto internacional, inclusive”, declarou o executivo.

A previsão da companhia é iniciar o processo de concorrência ainda em 2026. Segundo Yus, a etapa de formalização contratual e elaboração dos projetos deve ocorrer ao longo de 2027, enquanto as obras internas das futuras operações comerciais devem começar no segundo semestre do mesmo ano.

“Nossa ideia é fazer o processo de licitação ainda em 2026, para que já em 2027 seja feita toda a parte de formalização de contratos, de elaboração dos projetos. A ideia é que no segundo semestre de 2027 a gente já consiga começar com o que chamamos de ‘obras privativas’, que são as obras que fazem nossos cenários comerciais. Na virada para o novo terminal, esperamos que toda a oferta comercial esteja pronta”, explicou.

O Conselho de Administração da Aena, cuja matriz fica na Espanha, já aprovou a iniciativa. De acordo com a concessionária, os primeiros lotes da concorrência devem envolver operações de alimentação, com dois blocos principais. Depois, serão abertas oportunidades para cafeterias e fast-food. Em uma etapa posterior, entram varejo, lounges VIP e lojas premium.

Para Santiago Yus, a expansão comercial faz parte de uma mudança no conceito operacional do aeroporto, aproximando Congonhas de modelos internacionais voltados à experiência de consumo e permanência dos passageiros.

A iniciativa acompanha a ampla reforma do Aeroporto de Congonhas, cujo novo terminal tem entrega prevista para junho de 2028. O projeto contempla cerca de R$ 2,4 bilhões em investimentos e prevê ampliação de áreas de embarque, modernização dos pátios de aeronaves e revitalização dos pavimentos de taxiamento, além do aumento da capacidade operacional do terminal.

Turismo acessível para idosos

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Crédito: Magnific
Crédito: Magnific

Segundo dados do IBGE, dos 17,3 milhões de pessoas com deficiência no país em 2019, quase metade (49,4%) era idosa, ou seja, tinha 60 anos ou mais de idade. Considerando a população total por grupos etários, um a cada quatro idosos (24,8%) tinha algum tipo de deficiência. Com esses dados, conseguimos perceber que a ligação entre idosos e pessoas com deficiência é muito grande.

O turismo para a terceira idade deixou de ser um nicho de baixa temporada para se tornar um dos pilares mais sólidos da economia global do lazer. Com o aumento da expectativa de vida e a mudança no perfil comportamental dos idosos, que hoje buscam experiências mais ativas e enriquecedoras, a acessibilidade deixou de ser um “extra” para se tornar um requisito básico de sobrevivência no mercado. No entanto, o conceito de acessibilidade no turismo prateado vai muito além da instalação de rampas ou elevadores; ele envolve a compreensão profunda das limitações e, principalmente, dos desejos de autonomia desse viajante.

Um destino verdadeiramente inclusivo é aquele que entende as nuances do envelhecimento sem estigmatizar o indivíduo. Isso se traduz em calçadas niveladas, que evitam quedas; iluminação adequada em áreas comuns, para compensar a perda de acuidade visual; e sinalizações com fontes legíveis e alto contraste. No setor hoteleiro, uma acessibilidade funcional e abrangente ganha protagonismo ao propor ambientes que atendem a todos sem parecerem espaços hospitalares. Banheiros com barras de segurança discretas, pisos antiderrapantes e mobiliário em alturas ergonômicas são detalhes que garantem que o idoso se sinta bem-vindo e seguro para desfrutar da sua estadia, sem depender constantemente de auxílio de terceiros.

Para além da infraestrutura física, o fator humano é o que define o sucesso da experiência. A capacitação das equipes de atendimento é fundamental para combater o capacitismo e a infantilização, comportamentos que muitas vezes afastam o turista idoso. Um serviço de excelência é aquele que oferece suporte com paciência e clareza, respeitando o tempo de cada pessoa e valorizando sua independência. Quando um destino investe nessas adaptações, ele colhe o chamado efeito multiplicador: um ambiente bom para o idoso é, invariavelmente, um lugar melhor para famílias com carrinhos de bebê, pessoas com mobilidade reduzida temporária e para a sociedade como um todo.

Em última análise, o turismo acessível para idosos é uma estratégia de hospitalidade inteligente e sustentável. Ao eliminar barreiras arquitetônicas e atitudinais, as cidades e empresas turísticas não estão apenas cumprindo uma função social, mas garantindo a fidelidade de um público que possui disponibilidade de tempo e poder de consumo. O futuro do Turismo é, sem dúvida, prateado, e as organizações que compreenderem que a inclusão é o caminho para a excelência serão as que liderarão o mercado nas próximas décadas.

O Turismo sempre foi um mercado de diversidade em relação aos tipos de destinos, experiências, gastronomia, tradições e outras ofertas. Mas agora a diversidade dos turistas é o ponto-chave, e saber lidar com as diferentes necessidades que eles possuem é um dos principais itens que irão impulsionar o destino, estabelecimento ou serviço rumo ao sucesso.

Mas e a saúde, como fica?

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Crédito: Magnific
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Quem trabalha no mercado de eventos sabe como lidar diariamente com prazos curtos, alto nível de exigência e a necessidade de entregar experiências sem margem para erro. Como CEO da tg.mob, vivo essa realidade de perto e sei que a alta performance, tão valorizada no setor, muitas vezes vem acompanhada de desgaste físico e mental.

Os números reforçam esse cenário. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, representando o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no país, perdendo apenas para doenças de coluna. No mês em que se comemora o Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril, trago este tema porque precisamos rever a forma como operamos no dia a dia.

Excelência em resultados não pode ser sinônimo de exaustão. Para sustentar a produtividade no longo prazo, é fundamental que haja rotinas mais equilibradas. Isso passa por respeitar pausas, organizar jornadas com mais previsibilidade, sempre que possível, e incentivar uma cultura em que o descanso não seja visto como falta de comprometimento.

Outro ponto essencial é a liderança pelo exemplo. Quando gestores cuidam da própria saúde, inspiram suas equipes a fazer o mesmo. Além disso, pequenas práticas, como incentivar atividades físicas, oferecer suporte emocional e promover conversas abertas sobre saúde mental, fazem diferença no dia a dia.

O mercado de eventos continuará sendo dinâmico. Faz parte da nossa essência e é o que torna o setor tão apaixonante. Mas é possível construir uma rotina mais equilibrada, em que performance e qualidade de vida caminhem juntas. Afinal, resultados consistentes só são possíveis com pessoas saudáveis.

O futuro é de quem entende melhor

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Desde que entrei no turismo, custei a entender como funciona o processo de fazer growth no setor, pois, como a maioria dos negócios, o turismo não é diferente: sempre foi sobre escala. Mais quartos, mais pacotes, mais destinos, mais volume, maior resultado.

O que antes era tido como vantagem (tamanho, estrutura e alcance) hoje está sendo desafiado por algo muito mais poderoso: entendimento, seja de comportamento, de contexto ou de intenção.

Semanas atrás, vi em uma palestra no SXSW que o viajante de hoje não quer apenas viajar. Ele quer que a viagem faça sentido, que combine com seu momento de vida, com seus interesses e com a forma como enxerga o mundo. Isso é experiência com propósito; e o marketing precisa entender isso. Porém, isso muda completamente a lógica do mercado.

A tecnologia vem acelerando essa transformação por meio da inteligência artificial. A IA está tornando possível personalizar em escala algo que antes parecia inviável, trazendo recomendações mais precisas, comunicações mais relevantes e experiências mais alinhadas. Mas aqui está o ponto: a tecnologia, por si só, não resolve nada.

O diferencial não será quem tem acesso à IA. Será quem sabe usá-la para gerar valor real.

Ao mesmo tempo, a influência mudou de lugar. Saiu das grandes campanhas centralizadas e foi para as mãos das pessoas, comunidades, criadores e nichos. A decisão de viajar está cada vez mais baseada em confiança, e não na publicidade como é feita hoje.

Mas, enquanto tudo isso acontece, grande parte do mercado ainda opera como antes, comunicando de forma genérica, vendendo pacotes engessados e tratando o cliente como média. Isso não vai sustentar o futuro.

As empresas que vão se destacar são aquelas que conseguem combinar três coisas: dados, sensibilidade e execução. Essa sempre foi a base do marketing para mim, além de uma pontinha de criatividade.

O recado é simples: o marketing do seu negócio de turismo precisa de dados para entender, sensibilidade para interpretar e execução para entregar. Na prática, isso significa repensar tudo: desde como um hotel se apresenta até como uma operadora monta seus roteiros; desde a forma de comunicar até a forma de atender.

O futuro do turismo não será sobre quem tem mais estrutura, mas sobre quem consegue ser mais relevante. Porque, no fim, vencerá quem entender que viajar nunca foi sobre deslocamento.

Sempre foi sobre significado.

O que ou para quem?

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Crédito: Magnific
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A indústria de viagens vive um paradoxo recorrente: nunca houve tanta oferta, tantos destinos e tantos produtos, mas ainda é comum observar empresas que não sabem exatamente para quem estão vendendo. Em um setor marcado por margens pressionadas, alta concorrência e crescente sofisticação do consumidor, a segmentação de mercado deixou de ser uma escolha estratégica para se tornar uma condição de sobrevivência.

Segmentar não é apenas dividir o público em categorias demográficas ou geográficas. Trata-se, antes de tudo, de um exercício de identidade empresarial. Uma empresa que não tem clareza sobre sua missão, seus valores inegociáveis e suas forças competitivas dificilmente conseguirá definir com precisão seu público-alvo. E, sem essa definição, qualquer esforço de marketing tende a ser disperso, oneroso e pouco eficiente.

A construção de uma estratégia sólida de segmentação começa, portanto, de dentro para fora. É preciso responder a perguntas fundamentais: qual é o propósito da empresa no mercado de viagens? Quais experiências ela se propõe a entregar? Em quais atributos ela é, de fato, competitiva? Essas respostas orientam não apenas o posicionamento institucional, mas também a arquitetura de portfólio, a definição de marcas e a coerência da comunicação.

Um exemplo particularmente bem-sucedido dessa abordagem é o reposicionamento do Groupe Barrière, que evoluiu para Barrière Collection. A transformação não foi meramente estética, mas estrutural. O grupo organizou seu portfólio em quatro marcas distintas, cada uma com identidade clara e proposta de valor específica. Fouquet’s ocupa o território do ultraluxo em destinos globais altamente seletivos, como Paris, Nova York, Courchevel e Saint Barth. Os hotéis Barrière reforçam a tradição e o prestígio em edifícios históricos. As Maison Barrière traduzem o conceito de boutique hotel em chave contemporânea, com ênfase no chamado quiet luxury. Já os hotéis premium mantêm uma proposta cinco estrelas mais clássica, fortemente orientada para eventos e viagens corporativas.

Nesse caso, a segmentação foi conduzida a partir da oferta. Ou seja, o grupo estruturou produtos distintos e, a partir deles, definiu públicos específicos, canais de distribuição adequados e narrativas de marca coerentes. Trata-se de um movimento que exige disciplina estratégica, pois cada marca passa a operar com autonomia relativa, evitando sobreposição e canibalização.

Mas há também o caminho inverso: a segmentação orientada pela demanda. Nesse modelo, o ponto de partida não é o produto, mas o consumidor. Identificam-se grupos com comportamentos, expectativas e valores compartilhados e, a partir daí, desenvolvem-se ofertas específicas. É nesse território que surgem alguns dos cases mais emblemáticos da indústria contemporânea.

O turismo LGBTQIA+ é, possivelmente, o exemplo mais bem-sucedido dessa lógica. Ao longo das últimas décadas, deixou de ser um nicho marginal para se consolidar como um dos segmentos mais relevantes e rentáveis do turismo global. Mais do que um recorte identitário, trata-se de um público com alto grau de fidelização, forte influência nas redes sociais e grande sensibilidade a atributos como acolhimento, representatividade e segurança.

O sucesso desse segmento reside justamente na sua capacidade de combinar segmentação de demanda com sofisticação de oferta. Hoje, é possível encontrar produtos LGBTQIA+ que vão do luxo extremo, com experiências exclusivas em destinos como Mykonos ou Saint Barth, até propostas mais acessíveis, sem perder a coerência de posicionamento. O que varia não é o público em si, mas a forma como ele é atendido em diferentes faixas de preço e estilos de viagem.

Esse exemplo evidencia um ponto central: segmentar não significa limitar o mercado, mas qualificá-lo. Ao definir com clareza para quem se vende, a empresa ganha precisão na comunicação, eficiência na distribuição e consistência na entrega. Em vez de falar com todos, passa a dialogar com quem realmente importa.

Para que isso aconteça, no entanto, é fundamental alinhar três dimensões que frequentemente operam de forma desconectada nas empresas de turismo: marca, comunicação e distribuição. Não basta ter um produto bem posicionado se ele é comunicado de forma genérica ou distribuído em canais inadequados. Da mesma forma, uma estratégia de marketing sofisticada perde força se não encontra correspondência na experiência entregue.

A segmentação eficaz exige, portanto, uma visão integrada do negócio. Cada produto do portfólio deve ter uma identidade clara, uma proposta de valor bem definida e um público específico. Cada marca deve operar com códigos próprios, evitando ambiguidades. E cada canal de distribuição deve ser escolhido de acordo com o perfil do consumidor que se deseja alcançar.

Em um mercado cada vez mais orientado por dados, tecnologia e personalização, a tentação de ampliar o alcance é constante. Mas, paradoxalmente, são as empresas que sabem dizer “não”, que delimitam seu território e escolhem com precisão seus públicos, que constroem as marcas mais fortes e duradouras.

Na indústria de viagens, vender bem começa, inevitavelmente, por saber exatamente o que ou para quem se quer vender.