Rio de Janeiro recebeu mais eventos corporativos em 2025 e a Barra da Tijuca foi o bairro que mais se beneficiou no mercado imobiliário

O legado olímpico, o Riocentro e a infraestrutura hoteleira do bairro consolidaram a Barra como polo de turismo de negócios

Redação
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O Rio de Janeiro voltou ao mapa do turismo corporativo em 2025 com números que o setor não via há quase uma década. Feiras internacionais, congressos médicos, eventos do agronegócio e convenções empresariais escolheram a cidade como sede com uma frequência que surpreendeu até quem acompanha o calendário do trade há anos. E dentro do Rio, um bairro concentrou boa parte dessa demanda, da infraestrutura que ela exige e dos efeitos colaterais que ela gera no mercado imobiliário: a Barra da Tijuca.

O aluguel de apartamento na Barra da Tijuca cresceu em demanda ao longo de 2025, sustentado por um perfil de locatário que o mercado residencial tradicional não costuma mapear com precisão: o executivo, o consultor, o profissional de saúde ou o especialista que chega ao Rio para um evento de cinco dias e decide que hotel por tanto tempo não compensa. Esse perfil, que o turismo de negócios conhece bem, é o mesmo que o mercado de aluguel de média duração na Barra aprendeu a atender.

O que a infraestrutura da Barra representa para o turismo corporativo

Nenhum outro bairro do Rio concentra o que a Barra da Tijuca reúne em termos de capacidade para eventos de grande porte. O Riocentro, maior centro de eventos da América Latina, tem capacidade para mais de 100 mil visitantes e sediou, em 2025, eventos que incluíram feiras do setor de petróleo e gás, convenções farmacêuticas e congressos de tecnologia. O Jeunesse Arena e o espaço do Parque Olímpico complementam essa oferta com capacidade para shows, competições e eventos corporativos de diferentes escalas.

Essa concentração de espaços não é acidente. É o resultado direto do investimento olímpico de 2016, que transformou a Barra em um polo de infraestrutura sem equivalente na cidade. O legado que demorou anos para ser aproveitado de forma consistente está sendo precificado agora, tanto pelo setor de turismo quanto pelo mercado imobiliário do bairro.

O perfil do locatário que o turismo corporativo trouxe

O turismo de negócios gera um tipo de demanda por moradia que difere do turista convencional em dois aspectos importantes: duração e padrão. Quem chega ao Rio para um congresso de uma semana ou para uma série de reuniões que se estendem por um mês não busca hostel nem necessariamente quer pagar diária de hotel cinco estrelas por 30 dias. Busca apartamento equipado, bem localizado, com contrato flexível.

A Barra da Tijuca tem esse produto. O bairro desenvolveu nos últimos anos um mercado de locação de média duração que atende exatamente esse perfil, com apartamentos mobiliados em condomínios próximos ao Riocentro e ao eixo de eventos do bairro. A demanda por esse tipo de imóvel cresceu na proporção direta do crescimento do calendário de eventos corporativos do Rio em 2025.

O que mudou na percepção do bairro

Por anos, a Barra da Tijuca carregou uma reputação ambígua no mercado imobiliário carioca: bairro de classe média alta, planejado, com boa infraestrutura, mas distante do centro e com mobilidade urbana insatisfatória para quem precisava se deslocar com frequência. Essa percepção não desapareceu, mas foi relativizada por dois fatores que o turismo corporativo acelerou.

O primeiro é a concentração de trabalho e eventos no próprio bairro, o que reduziu a necessidade de deslocamento para quem está ali a negócios. O segundo é a maturidade do comércio e dos serviços locais, que transformou a Barra em um bairro autossuficiente para estadias de média duração. Quem aluga apartamento na Barra da Tijuca por 30 dias para trabalhar no Riocentro não precisa sair do bairro para resolver nenhuma necessidade cotidiana.

O que os números do setor indicam

O Rio de Janeiro registrou crescimento de dois dígitos na receita do turismo de negócios em 2025, segundo dados do setor hoteleiro e de eventos da cidade. A Barra da Tijuca concentrou a maior parte dos eventos de grande porte, o que se refletiu em taxa de ocupação hoteleira acima da média histórica do bairro e em pressão crescente sobre o mercado de apartamentos para aluguel de média duração.

Para o mercado imobiliário local, esse movimento representa uma diversificação da demanda que vai além do locatário tradicional. O apartamento na Barra que antes atendia quase exclusivamente moradores permanentes passou a disputar com um perfil de locatário que vem do turismo corporativo, paga mais por flexibilidade e não depende de ciclo imobiliário para existir. Enquanto o Rio continuar recebendo eventos de grande porte, essa demanda não some.

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