Alagev debate estratégias para ampliar mercado MICE no Norte e Nordeste

Painel no Fórum MICE BTM 2026 abordou captação de eventos, conectividade aérea, profissionalização dos destinos e articulação entre os setores público e privado

Rafael Destro
Rafael Destro
Redator - E-mail: Rafael@brasilturis.com.br

A Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) participou das discussões sobre o desenvolvimento do mercado MICE no Norte e Nordeste durante o Fórum MICE BTM 2026, realizado em 22 de outubro, em Fortaleza (CE). O painel “O Futuro do MICE no Norte e Nordeste: Tendências, Desafios e Oportunidades” reuniu representantes do turismo, da hotelaria, de entidades setoriais e da aviação para debater caminhos para ampliar a competitividade dos destinos e a captação de eventos corporativos, congressos e viagens de incentivo.

Mediado por Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev, o encontro contou com a participação de Suemy Vasconcelos, do Visite Ceará; Vaniza Schuler, consultora; Toni Sando, da Unedestinos e do Visite São Paulo; Alexandre Sampaio, da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) e do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Cetur-CNC); e Paula Cassettari, representante da Azul Linhas Aéreas.

Entre os principais assuntos estiveram as mudanças no mercado MICE, os critérios utilizados na escolha de destinos e a articulação entre os setores público e privado. A estruturação e a profissionalização dos Convention & Visitors Bureaus (CVBs) também foram apontadas como fatores importantes para a competitividade, especialmente na organização de informações, na integração dos agentes do setor e na apresentação de condições para receber eventos.

A discussão abordou ainda conectividade aérea, infraestrutura, disponibilidade hoteleira e investimentos contínuos. Para os participantes, o desenvolvimento do segmento depende de planejamento e políticas públicas capazes de criar condições para que os destinos do Norte e Nordeste ampliem sua participação no mercado.

“O desenvolvimento do mercado MICE exige que os destinos transformem seu potencial em propostas consistentes, sustentadas por dados, infraestrutura e articulação entre os setores público e privado. A competitividade não se constrói apenas com promoção, mas com planejamento, continuidade e capacidade de entregar uma experiência de qualidade aos organizadores e participantes”, afirmou a diretora-executiva da Alagev.

Tendências e oportunidades regionais

O painel também discutiu mudanças no perfil dos eventos e dos viajantes corporativos. Experiências relacionadas à cultura local, à gastronomia e à natureza, assim como iniciativas de sustentabilidade, vêm ganhando espaço no planejamento de congressos e viagens de incentivo. Nesse cenário, os destinos do Norte e Nordeste podem ampliar sua presença no segmento ao associar seus diferenciais culturais e naturais a serviços qualificados e infraestrutura adequada.

Os eventos técnico-científicos e médicos foram apontados como outra frente de oportunidades. A captação desse tipo de encontro depende, entre outros fatores, da mobilização de associações profissionais, especialistas e lideranças locais que possam defender a realização dos eventos em suas cidades.

A interiorização do turismo de eventos também entrou na pauta. Regiões fora dos principais centros urbanos podem ampliar sua participação no mercado, desde que desenvolvam produtos adequados à demanda e ofereçam condições de acesso, hospedagem, receptivo e atendimento a grupos.

Captação exige planejamento de longo prazo

Outro ponto discutido foi a necessidade de tratar a captação de eventos como um processo contínuo. Candidaturas para congressos e encontros internacionais podem levar anos, o que exige equipes preparadas, financiamento estável e cooperação entre entidades, empresas e governos.

A disponibilidade de dados sobre a capacidade dos destinos, o envolvimento de embaixadores locais e a definição de interlocutores também foram destacados como elementos que podem contribuir para o sucesso das candidaturas. A integração com organismos nacionais e redes de promoção, por sua vez, favorece a participação dos destinos brasileiros em oportunidades internacionais.

A conectividade aérea foi apontada como condição relevante para a atração de grandes encontros. A apresentação de uma demanda potencial, a organização de calendários e o diálogo antecipado com as companhias aéreas permitem avaliar necessidades de frequências, capacidade e condições comerciais.

Eventos e desenvolvimento econômico

O debate também abordou a importância de aproximar o turismo de eventos das políticas públicas. A geração de empregos, a movimentação da economia local, a arrecadação e os investimentos em infraestrutura são aspectos que podem demonstrar os efeitos da atividade para gestores públicos e representantes políticos.

Além de movimentar diferentes setores da economia, a realização de grandes encontros pode contribuir para reduzir a sazonalidade, ampliar a ocupação hoteleira durante a semana e estimular a qualificação profissional. Para alcançar resultados duradouros, os destinos precisam se preparar para os períodos de maior demanda e acompanhar mudanças regulatórias e tributárias que afetam o setor.

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